A ironia da estupidez humana.

chuva_na_estacao_de_trem__preto_e_branco__by_plamber-d6003cg.jpgCai o mundo, giram as entranhas num bailado atroz de tripas e escalos pintados de roxo, urros perdidos largados num turbilhão digital, lamentos pregados com a mão fechada de pulso a espirrar, brilhantes imagens apenas de um triste segundo, “Que sabem vós de mim?” diz outra “Que felizes que nós somos!”, reponde além “Felizes? Felizes de quê?”, ou tamanha ignorância, dor lancinante que me cinge a uma reclusão cada vez mais infinita, senão houvera uma alma, um simples e só que diga de trás para a frente “O coração das trevas” de Conrad ou a “Sobre a finitude” de Grass, com quem? Com quem? Com quem falarei horas infinitas de vinhos e sonhos? Que diabo se veste aqui e ciranda de roda pé a mascarar em novelos a inteligência dos pobres sem abrigo de si mesmos, esquecidos das melhores coisas da terra, da arte, da leitura, do pousio do mar, de ensinar e aprender algo num período que se chama permanência, de frios intensos, de calores sufocantes, quem somos os poucos únicos que se importam em discutir uma boa história, quem são os que não pensam só em dinheiro, que se constroem por firmes alicerces de cultura e músculos de risos de pura felicidade, sim percebo, sei que a vivência é importante, os lares de família, os automóveis que nos mantêm seguros, a poupança, os seguros, as contas da luz, água e gás, os planos de viagem (ah viajar! que maravilha!) sei! Sei e percebo de gentes que se escondem, não se mostram com medo de pedradas, quais torresmos de terra arremessados para partir a cabeça do espirito, só saem blindados, imunes a pressões. Levem de mim esse néctar que me engana e ao menos privem-me de sonhar, porque assim já não tenho ilusões, nem comoções, arrastem de mim ao mundo, ou melhor explicando, tirem-me os sonhos, a ideia congeminada do plano maquiavélico dos tratados de tratamento das almas que ainda sonham, comandam uma horda de homens de espinha reta, não bífida, reta, firmes e capazes, de manterem a sua palavra, de terem a certeza que ao abraçarem o seu amigo, são mesmo amigos de verdade, aqueles que dizem “Saudades! Já ontem eram saudades!”, e nada mais tenho a escrever que não seja acerca da incompreensão que muitos sentirão ao ler obliquamente estas linhas sem perceber que afinal, em cada palavra à uma dedicatória de fel pela lamentável e decrépita condição humana e toda a sua irónica existência…

 

Anúncios

One thought on “A ironia da estupidez humana.

Add yours

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Create a website or blog at WordPress.com

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: